Insights de Mercado

Exportações brasileiras de frutas crescem à medida que corredores refrigerados transformam perecíveis em vantagem

August 11, 2026 | Posted by Datamar

Exportações brasileiras de frutas crescem à medida que corredores refrigerados transformam perecíveis em vantagem

As exportações brasileiras de frutas costumam ser apresentadas como uma história de abundância natural. O país tem clima tropical, grandes áreas agrícolas e uma cultura doméstica em que as frutas fazem parte da rotina. Mas essa explicação não basta.

Frutas são sazonais, perecíveis e altamente dependentes do tempo certo. Um primeiro semestre forte não mostra apenas o que já aconteceu; também sinaliza o que pode vir pela frente, à medida que novas safras e janelas de exportação começam a se abrir. No Brasil, várias campanhas importantes de frutas não se encaixam perfeitamente no ano-calendário. Algumas começam no segundo semestre, atingem o pico perto do fim do ano e avançam pelos primeiros meses do ano seguinte. Outras dependem de uma ou duas janelas mais fortes, ou de ciclos produtivos que variam bastante de uma temporada para outra.

É por isso que os dados mais recentes do DataLiner são relevantes agora. Os números da Datamar mostram que o Brasil exportou 36.552 TEUs de frutas no primeiro semestre de 2026, alta de 20,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Em 2025 como um todo, as exportações brasileiras de frutas somaram 80.179 TEUs. O desempenho do primeiro semestre confirma que o setor entrou em 2026 com impulso. A questão mais importante é saber se esse ritmo poderá se manter no próximo ciclo de safra, quando mangas, melões, uvas, abacates e outras frutas voltarão a testar os corredores refrigerados do Brasil.

A história mais reveladora é que o Brasil aprendeu a exportar perecíveis sem perder valor. As frutas só se movimentam quando produção, embalagem, refrigeração, acesso portuário e escalas de navios funcionam de forma coordenada. Nesse sentido, os ganhos recentes do país dizem menos sobre o clima por si só e mais sobre o avanço de uma geografia exportadora especializada: pomares irrigados no Nordeste, oferta contraestação para a Europa, expansão da cadeia fria e portos estruturados em torno da disciplina exigida pela carga refrigerada.

Gráfico 1 – Exportações brasileiras de frutas | Jan. 2023-Jun. 2026 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

Isso importa porque as frutas ocupam um lugar muito diferente dos grandes pilares da pauta exportadora brasileira. Soja, petróleo bruto, minério de ferro e carnes continuam definindo o comércio exterior do país em valor e escala, e os dados oficiais de comércio em 2026 voltam a apontar commodities como soja, petróleo bruto, minério de ferro e carne bovina como motores importantes do desempenho exportador.

As frutas são menores, mais delicadas e operacionalmente mais exigentes. Ainda assim, é justamente por isso que elas funcionam como uma lente útil. Uma carga de soja pode esperar em um silo. O minério de ferro pode ficar em um pátio. Uma manga, um melão, uma lima, um abacate ou uma uva não podem. Cada contêiner adicional embarcado ao exterior depende de uma cadeia que proteja a vida útil do produto desde a fazenda até a prateleira do supermercado.

A cesta exportadora brasileira é liderada por melões, mangas e limas

O DataLiner mostra que a cesta brasileira de exportação de frutas é concentrada, mas não unidimensional. Melões e melancias foram a maior categoria em volume conteinerizado no primeiro semestre de 2026, com 9.825 TEUs. As mangas vieram logo atrás, com 9.399 TEUs, enquanto limões e limas chegaram a 8.849 TEUs.

Juntos, esses três grupos formaram o núcleo das exportações brasileiras de frutas em contêineres. Maçãs, abacates, bananas, uvas e frutas congeladas acrescentaram diversidade, mas o ranking do primeiro semestre deixa claro que o comércio internacional de frutas do Brasil ainda está ancorado em produtos que viajam bem sob refrigeração e se ajustam a rotas marítimas consolidadas.

Tabela 1 – Frutas mais exportadas pelo Brasil | Jan.-Jun. 2026 | TEUs

Fruta

Volume acumulado no ano (TEUs)

Mangas

9.399

Melões e melancias

9.825

Limões e limas

8.849

Maçãs

4.112

Abacates

2.458

Bananas

709

Uvas

630

Frutas e castanhas congeladas

505

Outras frutas frescas

36

Cascas de frutas

18

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

Esse ranking também ajuda a esclarecer uma pergunta comum sobre o comércio brasileiro de frutas. Nos dados conteinerizados da Datamar para o primeiro semestre de 2026, melões e melancias foram a principal categoria em TEUs. Em valor, porém, o Ministério da Agricultura do Brasil identificou a manga como a fruta mais exportada pelo país. A distinção é importante: os rankings de frutas podem mudar dependendo de a medida considerada ser volume em contêiner, peso ou valor exportado.

As mangas continuam sendo o centro simbólico da identidade exportadora brasileira no setor de frutas. O país produz mangas em escala, e o Vale do São Francisco, entre Bahia e Pernambuco, tornou-se a principal região de produção voltada à exportação. A Embrapa já mostrou que o clima do Vale e as tecnologias de manejo da floração permitem ao Brasil exportar mangas em períodos de menor oferta internacional, o que é central para a capacidade do país de competir em janelas premium no exterior.

Essa é a melhor forma de entender por que as mangas brasileiras ganharam espaço lá fora. O apelo não está apenas no sabor, embora as mangas brasileiras sejam bem avaliadas internacionalmente. O modelo exportador depende de controle de qualidade, timing de colheita, manejo pós-colheita e uma cadeia logística desenhada em torno do tempo necessário para a fruta amadurecer em trânsito.

A DatamarNews informou que as exportações brasileiras de frutas frescas atingiram níveis recordes no primeiro semestre de 2026, impulsionadas em parte pelo aumento dos embarques de manga do Vale do São Francisco, onde as exportações cresceram quase 40% em relação ao ano anterior e ultrapassaram 120 mil toneladas.

Isso faz da manga tanto um produto quanto um sinal. Ela mostra como o Brasil consegue transformar uma região semiárida e irrigada em uma plataforma de exportação de frutas premium — não apenas porque produz fruta, mas porque consegue programar produção e embarques de acordo com as janelas de demanda internacional.

A próxima janela de safra importa tanto quanto o resultado do primeiro semestre

Os números do primeiro semestre devem, portanto, ser lidos à luz da sazonalidade do comércio. Para várias categorias de frutas, o calendário exportador se intensifica no segundo semestre e pode avançar pelo início do ano seguinte.

Os melões são o exemplo mais claro. O CEPEA informou que as exportações brasileiras de melão caíram em abril, à medida que a campanha 2025/26 no Rio Grande do Norte e no Ceará chegou ao fim e a entressafra começou. Alguns produtores deveriam retomar as operações apenas no fim de maio e no início de junho, quando começou o plantio da safra 2026/27. Isso significa que parte da perspectiva para o segundo semestre depende não apenas da demanda, mas também do desenvolvimento da nova safra, da velocidade com que frutas com qualidade de exportação estarão disponíveis e do impacto dos custos de produção e frete sobre a competitividade.

Esse padrão sazonal é exatamente o que diferencia as frutas de muitas outras cargas conteinerizadas de exportação. Uma alta acumulada no ano pode refletir o fim de uma campanha forte, enquanto o próximo grande teste pode ocorrer meses depois, quando uma nova safra chega às casas de embalagem e aos portos. No caso dos melões e das melancias, a temporada de exportação também interage com a oferta europeia. Quando a produção espanhola enfraquece ou deixa uma lacuna, os exportadores brasileiros podem ganhar espaço; quando origens concorrentes se recuperam, a janela fica mais estreita.

Esse timing será especialmente importante para portos como Fortaleza e Pecém, diretamente ligados às frutas produzidas no Nordeste e embarcadas para a Europa. A campanha 2025/26 em Pecém, por exemplo, foi estruturada com saídas semanais para a Europa entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026, com projeções acima de 200 contêineres refrigerados por semana. A carga incluía melões, melancias, mangas e uvas produzidos no Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Bahia.

Em outras palavras, o segundo semestre de 2026 não é simplesmente uma continuação do primeiro. É o início de mais um teste para o sistema brasileiro de exportação de frutas.

Abacates mostram a velocidade da transformação do comércio brasileiro de frutas

Se as mangas representam o lado mais consolidado do modelo brasileiro de exportação de frutas, os abacates mostram a velocidade com que essa cesta está mudando.

O DataLiner mostra que as exportações de abacate chegaram a 2.458 TEUs no primeiro semestre de 2026, alta de 171,8% em relação ao mesmo período de 2025. Foi uma das expansões mais fortes entre as principais categorias de frutas e aponta para uma diversificação mais ampla do comércio brasileiro de frutas frescas.

O avanço tem uma história produtiva clara por trás. O Brasil deve colher sua maior safra de avocado Hass em 2026, com produção projetada em 60 mil toneladas métricas, o dobro do volume de 2025, segundo a Abacates do Brasil, conforme reportado pela DatamarNews. A mesma reportagem observou que as exportações respondem por cerca de 90% da produção brasileira de Hass e que a expansão dos pomares acelerou nos últimos anos, especialmente em São Paulo e Minas Gerais.

Mas o salto nas exportações não se explica apenas pelo plantio de mais pomares. Também depende de a fruta se adaptar à logística marítima. O avocado Hass é mais adequado ao transporte de longa distância do que as variedades tropicais maiores, mais comuns no mercado doméstico brasileiro. Sua vida útil pode chegar a 45 dias, tornando o frete marítimo viável quando refrigeração, manuseio e timing são bem administrados.

Isso explica por que o crescimento do avocado se encaixa tão bem no argumento mais amplo do artigo. O Brasil não está simplesmente acrescentando mais uma fruta tropical à sua cesta exportadora. Está avançando em um produto que recompensa as mesmas capacidades já desenvolvidas para mangas, melões e uvas: disciplina de cadeia fria, disponibilidade de contêineres, especialização portuária e serviços confiáveis aos mercados consumidores.

O fator sazonal também importa aqui. Os abacates não são apenas uma história de sucesso do primeiro semestre; eles estão se tornando parte da agenda exportadora daqui para frente. Uma safra maior de Hass dá ao Brasil mais espaço para atender compradores externos, mas apenas se a cadeia fria conseguir absorver o volume adicional e se os exportadores garantirem as janelas corretas nos mercados de destino.

O pano de fundo internacional também ajuda. O comércio global de avocados segue fortemente moldado pelo México, sobretudo no mercado dos Estados Unidos. Interrupções recentes nas inspeções de avocados mexicanos em Michoacán mostraram como compradores podem ficar expostos quando a oferta se concentra em uma única origem. O Brasil não está prestes a substituir o México, mas o episódio reforça o valor de fornecedores adicionais em um mercado no qual importadores dão cada vez mais importância à diversificação e à confiabilidade.

Uvas mostram os limites do modelo — e por que a segunda janela importa

Os mesmos dados que apontam para crescimento também mostram onde o modelo pode falhar. As exportações brasileiras de uva caíram 41,8% no primeiro semestre de 2026, para apenas 630 TEUs. A queda chama atenção porque as uvas estão entre as frutas brasileiras tecnicamente mais exigentes para exportação e entre os produtos mais associados à agricultura irrigada do Vale do São Francisco.

A retração não foi um simples problema de demanda. O CEPEA informou que as exportações brasileiras de uva no primeiro semestre de 2026 foram pressionadas por volumes menores, margens mais apertadas, problemas de qualidade, aumento de custos e barreiras tarifárias. No mercado norte-americano, uma tarifa de 33% restringiu de forma significativa os embarques aos Estados Unidos, que responderam por apenas uma pequena parcela do volume exportado no período.

Mas o primeiro semestre talvez não conte a história do ano inteiro. O CEPEA também observou que a perspectiva para a segunda janela da uva era mais otimista, com melhora do clima favorecendo o manejo das lavouras e uma formação mais uniforme dos lotes podados voltados ao atendimento da demanda mais adiante no ano. Ao mesmo tempo, o setor continuava preocupado com rentabilidade, concorrência e estreitamento das janelas de oferta europeias.

Essa combinação importa porque as uvas deixam pouca margem para erro. Elas exigem padrões rigorosos de qualidade, manuseio cuidadoso, resfriamento rápido, temperaturas estáveis, embalagens adequadas, liberação fitossanitária e escalas marítimas confiáveis. Uma safra mais fraca, um embarque atrasado, uma desvantagem tarifária ou um problema de qualidade podem mudar rapidamente o cálculo entre exportar e vender no mercado doméstico.

A queda das uvas, portanto, dá mais credibilidade à história mais ampla das exportações de frutas. As exportações brasileiras de frutas estão crescendo, mas o mercado não impulsiona todos os produtos da mesma forma. Os vencedores são as culturas e regiões capazes de alinhar produção, qualidade, acesso a mercados, janelas de safra e logística. Quando um desses elos enfraquece, os volumes em contêiner reagem rapidamente.

Europa continua sendo o centro de gravidade

Os dados por destino mostram o quanto o comércio brasileiro de frutas ainda é concentrado. No primeiro semestre de 2026, os Países Baixos receberam 20.321 TEUs de frutas brasileiras, ou 55,6% do total capturado pelo DataLiner. A Espanha ficou em segundo lugar, com 5.499 TEUs e 15,1% de participação. O Reino Unido veio em seguida, com 5.218 TEUs, ou 14,3%.

Juntos, esses três mercados responderam por cerca de 85% das exportações brasileiras de frutas em contêineres.

Gráfico 2 – Principais destinos das exportações brasileiras de frutas | Jan.-Jun. 2026 | TEUs

NETHERLANDS
SPAIN
UNITED KINGDOM
INDIA
CANADA
SAUDI ARABIA
PORTUGAL
UNITED STATES
IRELAND
BANGLADESH

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

O número dos Países Baixos é especialmente importante. O país não é apenas um mercado consumidor; é uma porta de distribuição para a Europa. A fruta que desembarca ali pode seguir para redes varejistas em todo o continente. Espanha e Reino Unido exercem papéis diferentes, mas, em conjunto, reforçam o mesmo ponto: as exportações brasileiras de frutas ainda dependem fortemente do sistema europeu de varejo refrigerado.

Essa concentração traz vantagens e riscos. A Europa oferece escala, demanda previsível e logística consolidada aos exportadores brasileiros. Mas também os expõe a padrões de supermercados, concorrência sazonal, exigências de conformidade, pressão de custos e oscilações cambiais.

A sazonalidade torna essa exposição mais intensa. O Brasil frequentemente compete ao chegar em momentos de oferta europeia mais fraca ou quando varejistas precisam de frutas contraestação. Mas, se safras espanholas, centro-americanas ou de outras origens concorrentes melhoram, a mesma janela pode ficar mais disputada. O CEPEA já apontou melhores condições de safra na América Central como um dos fatores que pesaram sobre os embarques brasileiros de melão durante a transição para fora da campanha 2025/26.

É por isso que o crescimento de destinos mais novos chama atenção. Os embarques para a Índia cresceram 651,0% a partir de uma base baixa, enquanto Canadá avançou 246,9%, Arábia Saudita 779,6% e Bangladesh 541,7%. Esses mercados ainda são muito menores que Países Baixos ou Espanha, mas indicam que o comércio brasileiro de frutas começa a testar um mapa mais amplo.

A política pública caminha na mesma direção. O Ministério da Agricultura do Brasil apoiou uma missão do setor de frutas à Índia em 2026, descrevendo o país como um dos maiores mercados consumidores do mundo e apresentando a iniciativa como parte de um esforço mais amplo para ampliar oportunidades para as frutas brasileiras no exterior.

Para os exportadores, diversificação não é slogan. É uma forma de proteção. Uma cesta mais ampla de destinos pode suavizar o impacto de barreiras tarifárias, demanda mais fraca em um mercado específico, padrões mais rígidos, mudanças nas compras do varejo europeu ou uma janela de safra mal posicionada.

Os portos mostram onde se constrói a vantagem brasileira nas frutas

Fortaleza movimentou 18.389 TEUs no primeiro semestre de 2026, ficando com 50,3% do mercado brasileiro de exportação de frutas na base do DataLiner. Santos apareceu em segundo lugar, com 8.677 TEUs. Salvador veio depois, com 3.013 TEUs, à frente de Navegantes, Pecém, Itajaí e Itapoá.

Tabela 3 – Principais portos brasileiros exportadores de frutas | Jan.-Jun. 2026 | TEUs

Porto

Valor acumulado no ano

Diferença

% de crescimento

% de participação de mercado

Fortaleza

18.389

101

0,6%

50,31%

Santos

8.677

1.028

13,4%

23,74%

Salvador

3.013

944

45,6%

8,24%

Navegantes

2.832

2.390

540,7%

7,75%

Pecém

2.198

1.150

109,8%

6,01%

Itajaí

1.058

1.054

26350,0%

2,89%

Itapoá

214

-362

-62,9%

0,59%

Vila do Conde

99

21

27,5%

0,27%

Paranaguá

27

25

1249,8%

0,07%

Itaguaí

20

2

11,1%

0,05%

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

A liderança de Fortaleza reflete a força exportadora do Nordeste e a importância de rotas curtas e confiáveis para a Europa. Pecém conta a mesma história a partir de um corredor próximo. Durante a temporada 2025/26, a campanha de frutas de Pecém previa movimentar mais de 200 contêineres refrigerados por semana para a Europa, com saídas semanais às sextas-feiras e cargas destinadas principalmente a Roterdã e Londres. A campanha foi de setembro de 2025 a fevereiro de 2026, atravessando o ano-calendário e mostrando como a logística de frutas se organiza em torno das safras, e não dos períodos anuais de divulgação de dados.

Isso explica por que o Nordeste é tão central. Frutas cultivadas em Mossoró ou no Vale do São Francisco não podem arcar com uma longa e incerta viagem terrestre antes da exportação. Quanto menor a distância entre fazenda, packing house e porto, maiores as chances de preservar a qualidade e cumprir as janelas de entrega dos supermercados no exterior.

Santos desempenha outro papel. Sua escala, densidade de serviços e conectividade em contêineres fazem do porto uma saída natural para fluxos mais diversificados de frutas, especialmente de cadeias ligadas ao Sudeste e ao maior centro consumidor e logístico do Brasil. Navegantes e Itajaí apontam para outra camada do mercado, associada a cargas do Sul e do Sudeste, incluindo maçãs e novos fluxos de avocado.

Os dados portuários, portanto, tornam mais complexa a ideia simples do Brasil como exportador tropical de frutas. A vantagem do país é regional, sazonal e operacional. O Nordeste domina o corredor clássico de exportação de melões, mangas e uvas. O Sudeste e o Sul ganham relevância para avocados, maçãs e cargas conteinerizadas mais diversificadas. O que conecta essas regiões não é apenas o clima, mas o acesso a equipamentos reefer, serviços marítimos e operações portuárias capazes de proteger a qualidade da carga exatamente no momento em que cada fruta chega à janela exportável.

Contêineres reefers tornaram-se parte do produto

Frutas frescas estão entre as cargas mais exigentes do comércio conteinerizado. Elas precisam de pré-resfriamento, contêineres refrigerados, tomadas funcionando nos terminais, monitoramento de temperatura, operações de gate ágeis, documentação fitossanitária e escalas marítimas confiáveis. Um contêiner de frutas não é apenas uma caixa. É um ambiente climatizado em movimento.

É por isso que a escassez de contêineres reefers após a pandemia pesou tanto. Exportadores brasileiros de frutas enfrentaram restrições na oferta de equipamentos refrigerados depois das disrupções causadas pela pandemia e pelo encalhe do Ever Given no Canal de Suez. Na época, os contêineres refrigerados respondiam por cerca de 90% das exportações do segmento, e a escassez elevou custos e afetou a competitividade das frutas brasileiras na Europa.

O pior daquela crise ficou para trás, mas a lição permanece. Exportadores de frutas não podem tratar a disponibilidade de contêineres como algo garantido. Oferta de equipamentos, capacidade portuária e coordenação com armadores fazem parte da estratégia exportadora — especialmente quando um pico de safra concentra a demanda por reefers em poucas semanas críticas.

A resposta do setor foi tornar a logística de frutas mais deliberada. Operações sazonais dedicadas, serviços semanais, coordenação mais próxima com transportadores marítimos e maior especialização portuária passaram a ser centrais para o comércio. A campanha de frutas de Pecém é um exemplo claro: saídas semanais para a Europa, contêineres refrigerados vinculados às janelas de safra e fluxos de carga desenhados em torno da demanda dos supermercados do norte da Europa.

Essa disciplina de cadeia fria é o que transforma a fruta brasileira de produção agrícola em carga pronta para exportação. Também explica por que os números do DataLiner devem ser lidos como mais do que um sinal de demanda. A alta de 20,4% nas exportações conteinerizadas de frutas evidencia que o sistema brasileiro de exportação refrigerada está se tornando mais capaz. A próxima pergunta é se esse sistema conseguirá acompanhar o aumento da demanda por equipamentos reefers à medida que novas janelas de safra se abrem.

Por que a alta está acontecendo — e o que observar daqui para frente

O crescimento das exportações brasileiras de frutas no primeiro semestre resultou de várias forças atuando ao mesmo tempo.

A primeira é o impulso por produto. O DataLiner mostra forte crescimento das mangas, com alta de 44,5%; dos abacates, com avanço de 171,8%; dos mamões, com aumento de 33,2%; e das maçãs, com salto de 249,7%. Melões e melancias permaneceram como a maior categoria em TEUs, enquanto limões e limas mantiveram o Brasil bem posicionado na demanda cítrica voltada à Europa.

A segunda é o timing sazonal. O Brasil consegue abastecer compradores em janelas nas quais a produção local ou concorrente está mais fraca. Por exemplo, exportadores de frutas que usam o corredor de Pecém identificaram oportunidades ligadas à menor oferta doméstica da Espanha, reforçando a importância do comércio contraestação. Mas essa vantagem não é permanente; precisa ser renovada a cada ciclo produtivo, safra e campanha de exportação.

A terceira é a diversificação de destinos. A Europa continua sendo o principal mercado, mas os dados do primeiro semestre mostram crescimento excepcional para Índia, Arábia Saudita, Canadá e Bangladesh a partir de bases menores. Esses fluxos ainda não substituem a Europa, mas reduzem a dependência de uma única região compradora.

A quarta é a logística. Fortaleza, Santos, Salvador, Navegantes e Pecém não são apenas nomes em um ranking. São a infraestrutura por meio da qual a economia brasileira de frutas se torna global. Nesse comércio, a logística não apenas acompanha a produção. Ela ajuda a determinar quais produtos conseguem competir, quais safras chegam aos mercados externos e quais picos sazonais se transformam em embarques efetivos.

A lição mais ampla para o comércio brasileiro

O Brasil é famoso por suas frutas em sentido cultural amplo, do açaí e do maracujá ao mamão, à manga e a inúmeras variedades regionais. Mas, no comércio exterior, fama não basta. O sucesso exportador depende de uma tarefa mais estreita e difícil: entregar frutas que cheguem com a qualidade, o timing e a consistência exigidos pelos varejistas internacionais.

É isso que torna os números do DataLiner para o primeiro semestre tão significativos. Melões e melancias lideraram em volume conteinerizado. As mangas confirmaram a reputação internacional do Brasil. Limões e limas mantiveram forte o canal europeu. Os abacates mostraram o avanço de uma nova fronteira exportadora. As uvas, por outro lado, revelaram como os volumes podem cair rapidamente quando pressões de qualidade, custo, tarifa e sazonalidade se sobrepõem.

A especificidade brasileira, portanto, não é simplesmente a abundância tropical. É a capacidade de transformar a produção irrigada e tropical em um sistema marítimo refrigerado de exportação organizado em torno das janelas de safra. Esse sistema ainda é desigual e está exposto a clima, tarifas, exigências fitossanitárias, problemas de qualidade, restrições de equipamentos e ao ritmo alternado de ciclos produtivos mais fortes e mais fracos. Mas ele está se tornando mais sofisticado.

Para as exportações brasileiras de frutas, a próxima etapa de crescimento dependerá da mesma disciplina que já separa os vencedores dos que ficam para trás: infraestrutura de cadeia fria mais robusta, disponibilidade confiável de reefers, corredores portuários especializados, maior acesso a mercados e capacidade de antecipar os picos de safra antes que eles cheguem ao gate portuário.

O primeiro semestre de 2026 mostrou que as exportações brasileiras de frutas estão crescendo. As próximas janelas de safra mostrarão se esse crescimento poderá ser repetido, sustentado e convertido em uma posição mais resiliente no comércio global de frutas.

Saiba mais sobre a fonte de dados de comércio exterior mais confiável da América do Sul aqui: https://www.datamar.com/pt/products/dataliner

Sharing is caring!