Comércio de contêineres no Brasil em 2026: China ganha espaço e EUA perdem participação

October 8, 2026 | Posted by Datamar

Comércio de contêineres no Brasil em 2026: China ganha espaço e EUA perdem participação

O comércio de contêineres no Brasil cresceu nos primeiros oito meses de 2026, mas a expansão veio acompanhada de mudanças importantes entre produtos e parceiros comerciais. Segundo dados da Datamar, as exportações avançaram 4,9% e as importações subiram 7,8% em relação a janeiro-agosto de 2025. Enquanto carnes, algodão e celulose sustentaram uma parcela relevante dos embarques para o exterior, a China ampliou seu peso como fornecedora do Brasil e os Estados Unidos perderam espaço nos dois fluxos.

Os resultados mostram que a expansão do comércio ocorre em meio a mudanças tarifárias e incertezas logísticas. Todos os volumes e variações percentuais da Datamar apresentados neste artigo se referem ao período de janeiro a agosto de 2026, em comparação com os mesmos meses de 2025, e são medidos em TEUs, unidade equivalente a um contêiner de 20 pés.

Exportações brasileiras crescem com força de carnes, algodão e celulose

O crescimento das exportações brasileiras veio acompanhado de desempenhos bastante diferentes entre os produtos. Carnes e algodão foram os principais responsáveis pelo volume adicional, com altas de 8,0% e 27,3%, respectivamente. Juntos, responderam por cerca de 70% do aumento líquido das exportações. A celulose também ganhou espaço, com avanço de 13,1%, enquanto resíduos da indústria alimentícia e frutas cresceram 53,6% e 15,0%.

O peso dessas commodities reforça a importância das cadeias agroindustriais para os embarques brasileiros. No algodão, a expansão coincide com um período de oferta abundante: em seu levantamento de setembro, a Conab estimou uma safra recorde de pluma em 2025/26. Nos dados da Datamar, o aumento das vendas para China, Índia e Bangladesh mostra o papel dos mercados asiáticos na absorção da produção brasileira.

O desempenho positivo, porém, não se repetiu em toda a pauta. Açúcar, papel, tabaco e plásticos registraram queda nas exportações conteinerizadas. O contraste mostra que o aumento do volume total não se traduz em melhora generalizada para os exportadores: o resultado depende da composição da carga e dos mercados atendidos.

China e Europa ganham espaço, enquanto EUA perdem participação

A diferença fica ainda mais clara quando China e Estados Unidos são comparados. As exportações brasileiras em contêineres para a China cresceram 14,4%, enquanto os embarques para os Estados Unidos recuaram 15,6%, segundo a Datamar. Celulose e algodão estiveram entre os destaques positivos no mercado chinês. Nos Estados Unidos, os volumes de madeira e papel diminuíram, embora as remessas de carnes tenham aumentado.

A mudança ocorre em um momento de condições de acesso mais restritivas no mercado norte-americano. Segundo nota publicada em julho pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), novas medidas dos Estados Unidos introduziram tarifas adicionais que, quando combinadas, chegam a 37,5% sobre determinados produtos brasileiros, entre eles artigos de madeira, móveis, calçados e vestuário. Outros bens, como carnes, café e a maior parte das exportações de celulose, ficaram fora dessas sobretaxas e das medidas setoriais citadas na nota.

O tratamento diferente entre produtos ajuda a explicar por que o risco comercial não é igual para todas as empresas. Ainda assim, o desempenho dos primeiros oito meses do ano não pode ser atribuído integralmente às medidas introduzidas em julho. Em setembro, o próprio MDIC destacou a dificuldade de isolar o efeito das tarifas e determinar se as mesmas cargas foram redirecionadas para outros mercados.

Os dados mostram, de todo modo, que outros destinos ajudaram a sustentar as vendas brasileiras. Além da China, os embarques para Holanda e Itália cresceram 20,4% e 25,1%, respectivamente. Os avanços ocorrem em meio a novas oportunidades comerciais: a Comissão Europeia confirmou que a aplicação provisória do acordo Mercosul-União Europeia começou em maio.

Importações brasileiras sobem e China amplia participação

Nas importações brasileiras em contêineres, a mudança mais relevante é o aumento da concentração no fornecimento chinês. A China respondeu por 53,7% do volume importado pelo Brasil, ante 48,5% um ano antes. O crescimento dos volumes chineses superou a expansão líquida das importações brasileiras, compensando quedas entre outros fornecedores. As compras provenientes dos Estados Unidos, por exemplo, recuaram 31,8%, influenciadas principalmente pela redução nas importações de plásticos.

Veículos e autopeças lideraram o aumento do volume importado, com alta de 50,5%. Borracha avançou 37,4%, enquanto a categoria que reúne reatores, caldeiras e máquinas cresceu 7,6%. Essas mercadorias atendem tanto ao consumo quanto à produção industrial, de modo que a alta das importações combina movimentos distintos: compra de bens finais, abastecimento de componentes e suprimento de cadeias produtivas.

O setor automotivo ilustra essa combinação. Segundo a Agência Brasil, o governo manteve em junho o cronograma de elevação das tarifas sobre veículos eletrificados, ao mesmo tempo em que aprovou uma nova cota com tarifa zero para veículos importados nos regimes CKD e SKD.

Tarifas e conflitos mantêm riscos logísticos elevados

Uma concentração maior em um único parceiro também aumenta a exposição às decisões daquele mercado. A carne bovina é um exemplo: o Ministério da Agricultura informou que a China estabeleceu uma cota para o Brasil, com tarifa adicional de 55% sobre os volumes que ultrapassarem o limite. Em 30 de setembro, reportagens informaram que a cota havia sido totalmente utilizada e que a cobrança adicional passaria a valer em outubro. O movimento acrescenta risco para os próximos meses, embora ainda não apareça nos dados de janeiro a agosto.

A expansão do comércio conteinerizado brasileiro também acontece enquanto conflitos seguem afetando a previsibilidade logística. Em análise publicada pelas Nações Unidas, a UN Trade and Development (UNCTAD) associou as interrupções no Estreito de Hormuz a custos mais altos de energia, seguros e transporte, além de riscos para o abastecimento de fertilizantes. No Mar Vermelho, a Maersk afirmou em setembro que o retorno de serviços específicos pelo Canal de Suez ainda não representava uma normalização mais ampla de sua rede.

Argentina e Uruguai também ampliam exportações em contêineres

Entre os outros países acompanhados pela Datamar, a Argentina aumentou suas exportações em 17,7%, puxada por vegetais e madeira, cujos embarques avançaram 31,8% e 34,4%, respectivamente. As importações argentinas, por outro lado, recuaram 7,0%. No Uruguai, as exportações cresceram 10,7%, apoiadas por madeira e celulose, com altas de 18,5% e 63,0%, enquanto as importações aumentaram 3,7%.

Importações | Jan-Ago | TEUs

País

2025 (TEUs)

2026 (TEUs)

Variação

Brasil

2.325.391

2.507.779

+7,8%

Argentina

497.750

462.772

-7,0%

Uruguai

132.378

137.341

+3,7%

Fonte: DataLiner – Explore nossos dados de comércio exterior.

Exportações | Jan-Ago | TEUs

País

2025 (TEUs)

2026 (TEUs)

Variação

Brasil

2.059.506

2.161.255

+4,9%

Argentina

340.823

401.075

+17,7%

Uruguai

110.346

122.194

+10,7%

Fonte: DataLiner – Explore nossos dados de comércio exterior.

Mais volume, mas custos e previsibilidade seguem no radar

Esse ambiente acrescenta uma dimensão que os volumes, sozinhos, não conseguem mostrar: exportar mais não significa necessariamente operar com custos menores ou maior previsibilidade. No Brasil, os dados da Datamar mostram a capacidade do país de ampliar os embarques mesmo em um cenário desafiador, mas também ajudam a identificar onde estão as principais exposições: concentração de fornecedores, restrições sobre produtos específicos e dependência de mercados cujas condições de acesso podem mudar.

Explore os dados do DataLiner e acompanhe os fluxos de comércio exterior por país, produto, porto, empresa e rota.

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