Importações Brasileiras de Plásticos e Químicos: o que os dados revelam sobre a demanda
February 19, 2026 | Posted by Datamar

A diferença entre decidir com base em impressões pessoais e decidir com respaldo analítico costuma aparecer quando o mercado muda de velocidade. Em comércio exterior, isso é ainda mais verdadeiro: volumes, origens, portos e composição de carga funcionam como sinais objetivos de demanda, custo e risco. Por isso, a leitura de dados de importação e exportação ajuda as empresas a enxergar o que está acontecendo antes que a mudança vire notícia — e, principalmente, antes que vire problema.
No acumulado do ano, as importações brasileiras seguem em expansão. Dados do DataLiner, da Datamar, mostram que o total de cargas conteinerizadas alcançou 3.521.432 TEUs, alta de 4,4% em relação aos 3.373.990 TEUs registrados no mesmo período do ano anterior.
Gráfico 1 – Histórico de Importações em Contêineres | Jan 2022 – Dez 2025 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Dentro desse fluxo, plásticos e químicos são indicadores sensíveis da atividade industrial. Trata-se de insumos básicos utilizados na fabricação de embalagens, na indústria de transformação, no agronegócio e em diversos segmentos manufatureiros. Como estão no início de várias cadeias produtivas, qualquer aumento ou retração na atividade econômica tende a aparecer primeiro na demanda por esses produtos, seja por mudanças no ritmo de produção, nos custos ou nas regras de comércio exterior.
O primeiro traço que salta dos dados é a concentração nos dados de importações — e ela aparece tanto no suprimento quanto na porta de entrada. Pelo recorte de origem, a China lidera com 1.745.546 TEUs e 50% de participação no acumulado do ano, após crescer 6,2% na comparação anual. Os Estados Unidos vêm em segundo lugar, com 308.696 TEUs, queda de 5,3% e 9% de participação. Índia e Alemanha aparecem na sequência, cada uma com cerca de 4%.
No lado brasileiro, o desempenho é igualmente concentrado: Santos responde por 1.513.495 TEUs, equivalentes a 43% do total das importações, seguido por Itapoá (424.047 TEUs; 12%), Navegantes (376.257 TEUs; 11%) e Paranaguá (322.682 TEUs; 9%).
Os dados também ajudam a responder dúvidas frequentes de quem busca entender melhor as importações brasileiras. No recorte de produtos importados, autopeças aparecem na liderança, com 285.046 TEUs, seguidas por polímeros de etileno (154.087 TEUs) e pneus (104.741 TEUs). Isso reforça o caráter industrial da pauta conteinerizada: uma parte relevante do que entra não é consumo final, mas insumo e componente para cadeias produtivas.
Em termos de mercado, essa combinação reduz a margem de manobra quando há ruído em rotas principais, seja por reacomodação de serviços, pressão operacional ou oscilação de custo. Quando grande parte do fluxo se apoia em poucos corredores e poucos portos, qualquer mudança de desempenho tende a se espalhar por prazos, estoques e previsibilidade, afetando especialmente insumos industriais, que carregam custo de parada e impacto direto no planejamento produtivo.
É nesse pano de fundo que o recorte de plásticos ganha peso analítico. O DataLiner aponta 456.990 TEUs importados no segmento no acumulado do ano, avanço de 3,5% em relação ao período anterior. A pauta é dominada por resinas e semimanufaturados: polímeros de etileno concentram 33,71% do total do recorte, seguidos por polímeros de propileno (11,27%) e polímeros de cloreto de vinila (PVC), com 10,99%.
Tabela 1 – Principais Categorias de Plásticos Importados | Jan-Dez 2025 | TEUs
DTM HS4 DESCRIÇÃO | Valor YTD | Ano Anterior | %Crescimento | %MShare | |
|---|---|---|---|---|---|
POLÍMEROS DE ETILENO | 154063 | 158443 | -2.8% | 33.71% | |
POLÍMEROS DE PROPILENO | 51489 | 54008 | -4.7% | 11.27% | |
POLÍMEROS DE CLORETO DE VINILA | 50243 | 44627 | 12.6% | 10.99% | |
POLIACETAIS E RESINAS EPÓXI | 34405 | 31634 | 8.8% | 7.53% | |
PLACAS PLÁSTICAS COM OUTROS MATERIAIS | 21441 | 21093 | 1.6% | 4.69% | |
POLÍMEROS DE ESTIRENO | 19107 | 18658 | 2.4% | 4.18% | |
OUTROS ARTEFATOS DE PLÁSTICO | 17433 | 12962 | 34.5% | 3.81% | |
POLÍMEROS ACRÍLICOS | 12674 | 11895 | 6.5% | 2.77% | |
EMBALAGENS PLÁSTICAS | 11275 | 9327 | 20.9% | 2.47% | |
ARTIGOS DE MESA, COZINHA E HIGIENE | 10726 | 7301 | 46.9% | 2.35% |
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Em um país em que embalagens, construção, autopeças e bens de consumo disputam capacidade e preço de insumos, essa composição sugere um nível de demanda que vai além da simples recomposição e se conecta ao pulso da produção.
Mais do que o volume, porém, o que muda o tom é o mapa de fornecedores. Os Estados Unidos seguem como principal origem de plásticos nesse recorte, com 30,26% de participação, mas com queda de 11,8% na comparação anual. A China avança e chega a 23,55% de participação, enquanto a Colômbia cresce 25% e alcança 9%.
Essa mudança ocorre no mesmo período em que o Brasil aprovou um aumento temporário das tarifas de importação para uma série de produtos químicos e polímeros. Em setembro de 2024, o Gecex elevou as alíquotas de resinas como polietileno (PE), polipropileno (PP) e PVC de faixas entre 7,2% e 12,6% para até 20%. A medida entrou em vigor em outubro de 2024, com prazo inicial de 12 meses, e posteriormente foi prorrogada até 2026. Em um mercado de polímeros amplamente padronizados, no qual pequenas diferenças de custo total — considerando tarifa, frete e prazo — influenciam rapidamente a decisão de compra, mudanças regulatórias podem alterar a competitividade relativa entre fornecedores.
No setor químico, a dinâmica é semelhante em um ponto e diferente em outro. O DataLiner registra 41.391 TEUs importados no acumulado do ano, com alta de 1% na comparação anual. Ou seja, o crescimento é contido, mas a pauta é reveladora do tipo de demanda.
Preparações ligantes para moldes de fundição e usos correlatos respondem por 35,25% do total, seguidas por ácidos graxos e derivados (12,55%) e preparações antidetonantes (12,41%).
Tabela 2 – Principais Produtos Químicos Importados
HS4 DESCRIÇÃO | YTD Value | Last Year | %Growth | %MShare |
|---|---|---|---|---|
AGLUTINANTES PREPARADOS PARA FUNDIÇÃO E OUTROS | 14592 | 14056 | 3.8% | 35.25% |
ÁCIDOS GRAXOS OU ÓLEOS E OUTROS | 5193 | 5142 | 1.0% | 12.55% |
PREPARAÇÕES ANTIDETONANTES | 5137 | 5091 | 0.9% | 12.41% |
CARVÃO ATIVADO | 3235 | 3769 | -14.2% | 7.81% |
REAGENTES PARA DIAGNÓSTICO OU LABORATÓRIO | 2106 | 1728 | 21.9% | 5.09% |
LICORES RESIDUAIS DA FABRICAÇÃO DE PASTA DE CELULOSE | 1937 | 2087 | -7.2% | 4.68% |
INICIADORES E ACELERADORES DE REAÇÃO | 1897 | 1944 | -2.4% | 4.58% |
AGENTES E ACELERADORES DE VULCANIZAÇÃO | 1632 | 1487 | 9.7% | 3.94% |
AGENTES DE ACABAMENTO PARA A INDÚSTRIA TÊXTIL | 1205 | 1148 | 5.0% | 2.91% |
PRODUTOS QUÍMICOS DIVERSOS | 1007 | 641 | 57.0% | 2.43% |
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Em paralelo, o mapa de origem volta a sugerir mudança de eixo: os Estados Unidos lideram com 22,50% de participação, mas recuam 4,2% no ano; a China cresce 28,3% e chega a 18,93%; a Alemanha aparece com 6,23%, em queda de 4,5%.
Quando o volume total muda pouco, mas a participação por origem difere bastante, o sinal costuma ser de demanda ainda ativa, com compradores recalibrando a estratégia de suprimento para capturar melhores condições de preço e disponibilidade. Em químicos, isso tende a ser ainda mais sensível porque a troca de fornecedor pode ocorrer sem impacto direto no produto final, desde que as especificações técnicas e exigências de conformidade sejam atendidas, o que, em geral, aumenta a competição por preço nos itens mais padronizados.
Esse quadro setorial se encaixa em um ambiente de política comercial mais presente. Realinhamentos tarifários temporários e instrumentos de defesa comercial podem redesenhar a economia de insumos específicos e acelerar ajustes de origens, antecipação de compras e mudanças de estratégia de estoque.
Isso é o que os dados indicam do lado das compras externas. Agora, do lado das exportações, o quadro também traz sinais importantes sobre a economia real e sobre onde o Brasil está ganhando tração em valor agregado.
Em 2025, as exportações conteinerizadas do Brasil totalizaram 3.248.924 TEUs, com crescimento de 2% em relação a 2024. Embora moderado, o avanço é expressivo diante de um cenário internacional mais restritivo e foi sustentado principalmente por cargas do agronegócio industrializado e por produtos de maior valor agregado. O complexo de carnes liderou a pauta exportadora, com 728.714 TEUs e alta de 6,1%, reforçando a competitividade brasileira no segmento de proteínas animais. Também avançaram algodão (+2,8%), pasta de celulose (+3,7%), papel (+3%), plásticos (+4,4%) e tabaco (+17,9%).
Gráfico 2 – Histórico de Exportações em Contêineres | Jan 2022 – Dez 2025 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Um dos movimentos mais marcantes de 2025 foi a forte expansão dos produtos vegetais, que somaram 93.040 TEUs, alta de 57,6%. Dentro desse grupo, o gergelim destacou-se com crescimento de 85,8%, tendo a China como principal destino, seguida da Índia, sinalizando maior inserção do Brasil em nichos específicos do mercado asiático. Outros produtos reforçaram essa tendência, como o amendoim (+41,8%) e o feijão verde (+58,4%), evidenciando a diversificação da pauta exportadora agrícola e o avanço em mercados de maior valor agregado.
Gráfico 3 - Principais Produtos Vegetais Exportados | Jan - Dez 2025 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Em resumo, os dados sugerem um mercado de importação que cresce em volume e se reconfigura por origem em pontos sensíveis, como plásticos e químicos, sob um pano de fundo de concentração logística e política comercial mais ativa. Do outro lado, as exportações conteinerizadas mostram desempenho moderado, mas com liderança nítida do complexo de carnes e sinais de diversificação agrícola em rotas asiáticas, apontando para oportunidades em segmentos específicos de maior especialização.
Saiba mais sobre a fonte de dados e as ferramentas que sustentam esse tipo de leitura de mercado no DataLiner, da Datamar: https://www.datamar.com/pt/products/dataliner