Dados do DataLiner sobre a Movimentação de Contêineres no Brasil em 2025: Crescimento Moderado, Diversificação de Cargas e Ajustes de Mercado

March 13, 2026 | Posted by Datamar

Dados do DataLiner sobre a Movimentação de Contêineres no Brasil em 2025: Crescimento Moderado, Diversificação de Cargas e Ajustes de Mercado

Dados recém-divulgados pela equipe de Business Intelligence da Datamar sobre a movimentação brasileira de contêineres em 2025 revelam não apenas resiliência operacional, mas também um reposicionamento estratégico do Brasil no comércio conteinerizado global. O desempenho ocorre em um contexto marcado por desaceleração econômica internacional, tensões comerciais, barreiras tarifárias e ajustes relevantes de política econômica nos principais mercados.

Desempenho geral em 2025

As exportações conteinerizadas do Brasil totalizaram 3.248.924 TEU em 2025, registrando crescimento de 2% em relação a 2024. Embora moderado, o avanço é expressivo diante de um cenário internacional mais restritivo, com juros elevados nas economias centrais, menor crescimento global e impactos diretos do tarifaço ao longo do ano.

Confira a seguir um comparativo das exportações brasileiras de contêineres entre janeiro de 2022 e dezembro de 2025. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportação de Contêineres do Brasil| Jan 2022 - Dez 2025 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

O crescimento foi sustentado principalmente por cargas do agronegócio industrializado e produtos de maior valor agregado. O complexo de carnes liderou a pauta exportadora, com 728.714 TEU (+6,1%), reforçando a competitividade brasileira no segmento de proteínas animais. Também apresentaram desempenho positivo o algodão (+2,8%), pasta de celulose (+3,7%), papel (+3%), plásticos (+4,4%) e tabaco (+17,9%).

Expansão dos produtos vegetais e avanço no mercado asiático

Um dos movimentos mais relevantes de 2025 foi a forte expansão dos produtos vegetais, que alcançaram 93.040 TEU, com alta expressiva de 57,6%. Dentro desse grupo, o gergelim destacou-se com crescimento de 85,8%, tendo a China como principal destino, seguida da Índia — sinal claro da maior inserção do Brasil em nichos específicos do mercado asiático.

Outros produtos reforçaram essa tendência, como o amendoim (+41,8%) e o feijão verde (+58,4%), evidenciando a diversificação da pauta exportadora agrícola e o avanço em mercados de maior valor agregado.

Esse movimento foi acompanhado por avanços institucionais relevantes. Em 2025, o Brasil ampliou significativamente o número de estabelecimentos habilitados a exportar gergelim para a China, passando de 31 para 61 plantas, após auditorias e certificações conduzidas pelas autoridades chinesas e brasileiras. A medida fortaleceu a posição do país em um mercado no qual a China responde por cerca de 38,4% do consumo global de gergelim, e no qual o Brasil já figura como sétimo maior exportador mundial.

Paralelamente, dados do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (IBRAFE) indicam que, até setembro de 2025, o Brasil exportou aproximadamente 349,6 mil toneladas de gergelim e 171 mil toneladas de feijão-mung, volumes que confirmam a rápida expansão da presença brasileira nos mercados asiáticos, especialmente o chinês.

Retração em produtos tradicionais e impacto do tarifaço

Em contrapartida, alguns produtos tradicionais registraram retração ao longo de 2025. Madeira (-6,5%), café (-17,1%) e açúcar (-14%) refletiram uma combinação de fatores, incluindo restrições de oferta, preços internacionais menos favoráveis, maior taxação imposta pelos Estados Unidos e ajustes na demanda global. As frutas apresentaram estabilidade, com leve queda de 0,5%.

Os dados do DataLiner mostram que, no comércio conteinerizado entre Brasil e Estados Unidos, as maiores quedas percentuais em 2025 foram observadas em madeira (-21,6%), café (-30,2%) e celulose (-19%).

O último mês analisado encerrou com US$ 2,4 bilhões em exportações brasileiras para os EUA, representando um recuo superior a 25% em relação a janeiro do ano anterior. As importações brasileiras de produtos norte-americanos também recuaram cerca de 10%, totalizando pouco mais de US$ 3 bilhões.

O resultado foi um déficit de US$ 670 milhões na balança comercial bilateral, reforçando a perda de dinamismo da relação comercial entre os dois países e acelerando o processo de redirecionamento das exportações brasileiras para outros mercados.

Veja a seguir o comparativo mensal das exportações conteinerizadas para os EUA, de acordo com dados da plataforma DataLiner.

Exportação de Contêineres para os EUA | Jan 2022 – Dez 2025 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

Análise econômica de 2025

Sob a ótica econômica, 2025 foi um ano de crescimento contido, porém mais equilibrado. A queda de 12,1% nas exportações para os Estados Unidos evidenciou os efeitos diretos das barreiras tarifárias e do menor dinamismo daquele mercado. Em contrapartida, os embarques para o resto do mundo cresceram 4,1%, confirmando a diversificação geográfica como principal estratégia de mitigação de riscos do comércio exterior brasileiro.

O desempenho mais robusto no segundo semestre reforça essa leitura. No último trimestre de 2025, as exportações conteinerizadas cresceram 6% em relação ao mesmo período de 2024 (905 TEU contra 854 TEU), sinalizando recuperação gradual da demanda externa e melhor aproveitamento da infraestrutura logística.

No mercado interno, as importações totalizaram 3.521.432 TEU, com alta de 4,4%, ritmo superior ao das exportações. O movimento sugere retomada gradual do consumo e dos investimentos, especialmente em bens intermediários e insumos industriais, ainda que em um ambiente de cautela.

Acompanhe abaixo um comparativo das importações brasileiras de contêineres mês a mês nos últimos quatro anos. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Importação de Contêineres do Brasil| Jan 2022 - Dez 2025 | TEUs

Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)

Perspectivas e vetores estratégicos para 2026

Para 2026, os dados do DataLiner indicam tendências de crescimento gradual, condicionado a alguns vetores estratégicos fundamentais:

- Diversificação de mercados: ampliação da presença na Ásia, Oriente Médio e África, reduzindo a dependência dos Estados Unidos.

- Fortalecimento de cargas de maior valor agregado: carnes processadas, papel, celulose, plásticos e produtos vegetais especiais devem ganhar participação.

- Aproveitamento do agronegócio de nicho: gergelim, amendoim e feijões especiais tendem a manter trajetória de expansão, impulsionados pela demanda asiática.

- Ganho de eficiência logística: investimentos em portos, digitalização e previsibilidade operacional serão decisivos para sustentar a competitividade.

- Monitoramento do cenário macroeconômico global: eventual queda dos juros internacionais e flexibilização de barreiras comerciais podem destravar um crescimento mais robusto no segundo semestre de 2026.

Acesso a mercados e o impacto potencial do acordo Mercosul–União Europeia

Além do redirecionamento observado em 2025, o horizonte de médio e longo prazo pode ser influenciado pelo acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, concluído após décadas de negociações. O tratado prevê a eliminação progressiva de tarifas para cerca de 92% das exportações do Mercosul ao bloco europeu, além da redução de barreiras não tarifárias.

Esse avanço tende a ampliar oportunidades para produtos agroindustriais do Brasil e da Argentina, especialmente em segmentos como carne bovina, açúcar, etanol e outros produtos agrícolas, com impactos positivos graduais sobre os fluxos comerciais à medida que tarifas e cotas sejam implementadas.

Argentina e Uruguai no contexto regional

No cenário regional, a Argentina registrou crescimento de 11,3% nas exportações conteinerizadas em 2025, enquanto as importações avançaram expressivos 57,7% frente a 2024. Esse desempenho está diretamente ligado às mudanças de política econômica promovidas pelo governo de Javier Milei, que reduziu alíquotas de exportação (retenciones) sobre produtos como soja, milho e trigo, além de promover ajustes cambiais.

As medidas ampliaram a competitividade dos produtos argentinos no mercado internacional e representam uma mudança relevante em relação a anos anteriores de forte tributação sobre o setor exportador, aumentando a concorrência regional em determinados mercados.

O Uruguai, por sua vez, registrou crescimento de 6% nas exportações e de 9,7% nas importações em 2025, reforçando o dinamismo do comércio exterior no Cone Sul.

Fretes na América do Sul: estabilidade no curto prazo

O mercado de frete de contêineres na América do Sul segue marcado por demanda fraca e excesso de capacidade. Na Costa Leste da América do Sul, as taxas apresentaram leve recuperação, afastando-se das mínimas históricas, embora o sentimento permaneça cauteloso e a demanda contida. A expectativa é de melhora gradual apenas a partir de março.

Nas rotas inter-Américas, a estabilidade deve prevalecer no curto prazo, sustentada por volumes contratuais e baixa atividade no mercado spot.

Conclusão

Em síntese, 2025 consolidou uma base mais diversificada, resiliente e estrategicamente reposicionada para a movimentação de contêineres no Brasil. Já 2026 se desenha como um ano de oportunidades, desde que o país continue avançando em eficiência logística, inteligência de mercado e estratégia comercial internacional.

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