Exportações Brasileiras de Açúcar em Dados: Insights para um Mercado Global Volátil
February 2, 2026 | Posted by Datamar

Quando os dados de comércio exterior são analisados com atenção, um fato se impõe com clareza: as exportações brasileiras de açúcar não são apenas volumosas — elas são estruturalmente decisivas para a oferta global. O Brasil ocupa uma posição central no mapa mundial da produção de açúcar, figurando de forma consistente entre os maiores produtores e exportadores, com a região Centro-Sul concentrando a maior parte da produção e da disponibilidade exportável.
Nesse contexto, dados confiáveis e consolidados não são um diferencial — são um requisito básico. Eles formam a base para compreender como o Brasil se insere no mercado global de açúcar, como os fluxos vêm mudando e onde vantagens competitivas estão sendo construídas ou perdidas. É essa a perspectiva oferecida pelo DataLiner, da Datamar.
De acordo com o DataLiner, ao longo de 2025 (acumulado do ano), o Brasil exportou açúcar majoritariamente a granel, modalidade que respondeu por 79,59% do volume total embarcado. O açúcar conteinerizado representou os 20,41% restantes. Esse padrão não é exclusivo do Brasil. No mundo todo, o açúcar é negociado principalmente a granel, o que reflete seu papel como insumo industrial e a maior eficiência de custos do transporte marítimo em larga escala.
O principal eixo de competitividade brasileiro está ancorado na produção agrícola em grande escala e no processamento primário. A exportação de açúcar bruto permite maximizar ganhos de escala e eficiência de custos na origem, ao mesmo tempo em que preserva a flexibilidade do produto para diferentes usos finais. Uma vez embarcado, o açúcar bruto pode ser refinado conforme especificações locais, padrões de qualidade e preferências dos mercados importadores.
Sob essa ótica, os dados vão além da simples descrição de escolhas logísticas. Eles ajudam a explicar como o Brasil se posiciona nos mercados internacionais, como os exportadores equilibram escala e eficiência e como portos, terminais e modais de transporte sustentam a competitividade em um ambiente cada vez mais volátil.
Quem movimenta o mercado: principais exportadores em 2025
O desempenho exportador do Brasil é sustentado por um grupo relativamente concentrado de grandes tradings e usinas. No segmento de açúcar bruto (não refinado), a Copersucar manteve-se como a principal exportadora do país em 2025, seguida pela Raízen Centro-Sul, que ampliou de forma relevante sua presença, e pela Sucden do Brasil, que seguiu como um player importante apesar de retração na comparação anual.
No açúcar conteinerizado, os volumes são menores, mas estrategicamente relevantes, sobretudo para produtos refinados e de maior valor agregado. A Usina Bazan liderou os embarques nesse segmento, seguida pela Usina Bela Vista e pela Nardini Agroindustrial. Em conjunto, esses exportadores moldam a presença brasileira tanto no comércio a granel quanto no conteinerizado.
O Brasil é o maior exportador mundial de açúcar?
O Brasil é amplamente reconhecido como um dos maiores exportadores de açúcar do mundo e um pilar estrutural da oferta global. Embora a liderança possa variar de um ano para outro em função de safras e políticas de exportação em outros países produtores, o Brasil figura de forma recorrente no topo do ranking mundial.
Dados da Datamar indicam que, entre janeiro e novembro de 2025, o país embarcou 26.520.490 toneladas métricas de açúcar, mantendo a liderança global apesar de uma queda de 14,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O gráfico abaixo apresenta um levantamento da base de dados histórica das exportações brasileiras de açúcar a granel nos últimos quatro anos, com base nos dados do DataLiner:
Exportações brasileiras de açúcar a granel | jan. 2022 – nov. 2025 | WTMT
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
A produção de açúcar no Brasil é fortemente concentrada na região Centro-Sul, com destaque para o estado de São Paulo como principal polo produtor. Essa concentração geográfica influencia diretamente os corredores de exportação, a utilização portuária e os padrões de embarque.
Como mostram os dados históricos de comércio, as exportações estão intimamente ligadas ao ciclo produtivo da cana-de-açúcar. A safra brasileira ocorre, em geral, entre abril e novembro, período em que os volumes exportados atingem o pico e as cadeias logísticas operam em plena capacidade. Essa sazonalidade é claramente refletida nos dados e é fundamental para o planejamento de frete, armazenagem e operações portuárias.
Tendências do mercado global: oferta, preços e política
Desde 2023, os desdobramentos no mercado global de açúcar reforçaram a importância estratégica do Brasil, ao mesmo tempo em que alteraram a dinâmica de preços. Projeções públicas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam para um cenário de oferta global elevada na safra 2025/26.
Segundo o USDA, a produção mundial de açúcar em 2025/26 deve alcançar cerca de 189,3 milhões de toneladas, com crescimento anual impulsionado principalmente por maiores volumes em países como Brasil e Índia. A expectativa é de um aumento de aproximadamente 4,6% em relação à safra anterior, resultando em níveis confortáveis de oferta e estoques globais elevados.
Esse ambiente de abundância exerceu pressão baixista sobre os preços internacionais ao longo de 2025 e no início de 2026. Mesmo com a queda das cotações, os volumes exportados permaneceram elevados, o que reforça a importância da eficiência operacional, da otimização logística e da diversificação de mercados em um contexto de margens mais apertadas.
Questões de política comercial também entraram no radar. Em janeiro de 2026, a União Europeia propôs a suspensão temporária do regime de importação de açúcar com isenção tarifária no âmbito do mecanismo de Inward Processing Relief, com o objetivo de apoiar produtores locais em um cenário de preços baixos. A proposta gerou debate entre refinadores e tradings, já que mudanças nesse regime podem afetar os fluxos de açúcar bruto para o mercado europeu, incluindo cargas originadas no Brasil.
O gráfico abaixo mostra a evolução mensal das exportações de açúcar para a União Europeia entre janeiro e novembro, a partir de 2022, com base nos dados do DataLiner:
Exportações de açúcar para a UE | janeiro – novembro | 2022–2025 | WTMT
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Com estoques globais recompostos após embarques recordes em safras anteriores e aumento da produção em grandes países produtores, compradores ajustaram suas estratégias de aquisição e reduziram o ritmo das importações. Preços mais baixos diminuíram os incentivos à exportação na margem, enquanto mudanças na demanda em destinos-chave também afetaram o ritmo dos embarques. Nesse contexto, a desaceleração observada reflete um ajuste cíclico em um mercado marcado por excesso de oferta, pressão sobre preços e rearranjos nos fluxos comerciais.
No nível das usinas, a decisão entre produzir açúcar ou etanol segue como um fator central para a disponibilidade exportável. As unidades acompanham de perto os preços internacionais do açúcar, o mercado de petróleo, a competitividade do etanol, a oferta sazonal de cana e os custos logísticos, ajustando seu mix produtivo conforme esses sinais econômicos. Essas escolhas têm impacto direto sobre volumes exportados e o timing dos embarques.
Como o açúcar brasileiro é exportado
Do ponto de vista logístico, as exportações brasileiras de açúcar se dividem entre cargas a granel, conteinerizadas e ensacadas, com clara predominância do granel. O açúcar bruto é particularmente adequado a esse tipo de transporte, que reduz significativamente o custo do frete por tonelada em rotas de longa distância e grandes volumes.
Dados recentes confirmam uma desaceleração em ambos os segmentos ao longo de 2025. Segundo o DataLiner, as exportações de açúcar conteinerizado recuaram 15,5% entre janeiro e novembro de 2025 em relação ao mesmo período de 2024. Os embarques a granel também diminuíram, com queda de 14,8% na comparação anual.
Exportações de açúcar conteinerizado | jan 2022 – nov 2025 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
As exportações brasileiras abrangem desde açúcares brutos VHP e VVHP, amplamente utilizados como insumos industriais, até o açúcar refinado ICUMSA 45 e produtos de nicho, como os açúcares orgânico e demerara. Essa diversidade permite ao Brasil atender tanto grandes mercados de refino quanto segmentos de maior valor agregado.
A liderança brasileira na produção de açúcar também se conecta às tendências de sustentabilidade. No Centro-Sul, especialmente em São Paulo, a colheita mecanizada e os marcos regulatórios resultaram em uma redução expressiva — e, em muitas áreas mecanizáveis, na eliminação — da queima da cana antes da colheita. Esses avanços contribuem para ganhos de produtividade e alinham o açúcar brasileiro às exigências ambientais crescentes dos compradores internacionais.
Portos: por onde sai o açúcar brasileiro
Os portos são um pilar central da cadeia exportadora de açúcar no Brasil. Com a produção concentrada no Centro-Sul, o Porto de Santos se destaca como o principal ponto de saída tanto para cargas a granel quanto conteinerizadas.
No açúcar conteinerizado, Santos foi responsável por mais de 95% dos embarques, seguido por Paranaguá e Salvador como os principais postos de saída em 2025.
Exportações brasileiras de açúcar por porto – conteinerizado | jan–nov 2025 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
As exportações a granel também são concentradas. Santos lidera com folga, seguido por Paranaguá, enquanto Maceió desempenha um papel complementar no Nordeste.
Em Santos, os embarques a granel se concentram principalmente nos terminais da Copersucar, TIPLAM e Rumo, que formam a espinha dorsal da logística de exportação de açúcar no porto. Em Paranaguá, os fluxos se concentram em Teapar, com participação também de Bunge e PASA. Em Maceió, os embarques ocorrem sobretudo pelo Terminal Açucareiro e pelo Terminal de Granéis Líquidos (TGL).
Exportações brasileiras de açúcar por porto – granel | jan–nov 2025 | WTMT
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Para onde o Brasil exporta açúcar?
Os destinos variam conforme o tipo de carga. Em 2025, no acumulado do ano, as exportações conteinerizadas tiveram a África como principal destino, seguida pelo Oriente Médio. Já os embarques a granel foram direcionados majoritariamente ao Oriente Médio, com a Ásia na segunda posição.
Destinos das exportações brasileiras de açúcar conteinerizado | 2025 | TEUs
Pais Estrangeiro | TOTAL YTD | Dif YTD | %Crescimiento | %Market Share |
|---|---|---|---|---|
GUINEA | 10064 | 2068 | 26% | 11% |
TOGO | 9782 | -381 | -4% | 10% |
ANGOLA | 8507 | 4035 | 90% | 9% |
COSTA DO MARFIM | 7077 | 2659 | 60% | 8% |
BENIN | 6854 | 3554 | 108% | 7% |
CAMARÕES | 6115 | -5758 | -49% | 7% |
SRI LANKA | 6071 | 5297 | 684% | 6% |
GHANA | 4494 | 1055 | 31% | 5% |
ESTADOS UNIDOS | 4268 | -2425 | -36% | 5% |
MAURITANIA | 3885 | -1407 | -27% | 4% |
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Destinos das exportações brasileiras de açúcar a granel | 2025 | WTMT
País Extranjero | TOTAL YTD | Dif YTD | %Crescimiento | %Market Share |
|---|---|---|---|---|
CHINA | 4653977 | 1748955 | 60% | 16% |
INDIA | 2012307 | -788129 | -28% | 7% |
ALGERIA | 1850248 | 138921 | 8% | 6% |
EMIRADOS ÁRABES UNIDOS | 1725537 | -356657 | -17% | 6% |
INDONÉSIA | 1612954 | -1746196 | -52% | 6% |
BANGLADESH | 1521856 | 365399 | 32% | 5% |
NIGERIA | 1415503 | 94717 | 7% | 5% |
ARABIA SAUDITA | 1360344 | -363787 | -21% | 5% |
EGITO | 1223916 | -560975 | -31% | 4% |
MALASIA | 1151652 | -38563 | -3% | 4% |
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
A análise por país permite identificar tendências de demanda, avaliar a concentração de mercados e alinhar estratégias comerciais e logísticas.
Dados como vantagem competitiva
Em um ambiente global marcado por oferta abundante, volatilidade de preços e mudanças nas políticas comerciais, o papel do Brasil no comércio internacional de açúcar segue sendo estruturalmente decisivo. Para os stakeholders que buscam ir além das manchetes, dados consolidados e bem estruturados transformam fluxos de exportação em inteligência acionável. Saiba mais sobre a fonte de dados de comércio exterior mais confiável da América do Sul aqui.