O crescimento das exportações brasileiras de carne de frango e suína e sua logística
May 4, 2026 | Posted by Datamar
No comércio de proteína animal, a manchete raramente conta a história completa. Os volumes podem crescer mesmo quando mercados-chave perdem força, um incidente sanitário pode redesenhar a concorrência em toda uma região, e um conflito a milhares de quilômetros pode obrigar exportadores a refazer suas rotas de embarque de uma hora para outra. É por isso que dados comerciais confiáveis fazem tanta diferença.
Os dados do DataLiner, da Datamar, mostram que as exportações brasileiras de carne de frango e carne suína começaram 2026 com crescimento consistente, mas também revelam um mercado em transição. Os embarques de carne de frango somaram 63.977 TEUs em janeiro e fevereiro, alta de 6,1% na comparação anual, enquanto as exportações de carne suína totalizaram 12.784 TEUs, avanço de 14,7%. Por trás desse desempenho, há um quadro mais revelador: a demanda do Golfo segue forte, o Leste Asiático já não se move em bloco, e a cadeia marítima refrigerada do Brasil tornou-se ainda mais central para a competitividade das exportações.
Gráfico 1 – Exportações brasileiras de carne de frango | Jan 2023 – Fev 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Gráfico 2 – Exportações brasileiras de carne suína | Jan 2023 – Fev 2026 | TEUs
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Os números do comércio de frango deixam claro que a base exportadora do Brasil continua ampla, mas o centro de gravidade está mudando. Os Emirados Árabes Unidos lideraram em janeiro-fevereiro de 2026, com 6.463 TEUs, seguidos por China, com 6.221, Japão, com 5.286, e Arábia Saudita, com 5.022. África do Sul, Filipinas e Catar também tiveram desempenho forte, com destaque para o Catar, que avançou 46,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Na prática, as exportações brasileiras de frango estão sendo sustentadas por uma combinação de demanda do Golfo, mercados asiáticos selecionados e compras crescentes em partes da África.
Tabela 1 – Principais destinos das exportações brasileiras de carne de frango | Jan-Fev 2026 | TEUs
País | Valor acumulado em jan-fev | Variação acumulada | % de crescimento | % de participação de mercado |
|---|---|---|---|---|
Emirados Árabes Unidos | 6463 | 1252 | 24,0% | 10,10% |
China | 6221 | -927 | -13,0% | 9,72% |
Japão | 5286 | 1060 | 25,1% | 8,26% |
Arábia Saudita | 5022 | 75 | 1,5% | 7,85% |
África do Sul | 4851 | 1139 | 30,7% | 7,58% |
Filipinas | 3885 | 778 | 25,0% | 6,07% |
Coreia do Sul | 2766 | 195 | 7,6% | 4,32% |
México | 2452 | -228 | -8,5% | 3,83% |
Singapura | 1973 | 144 | 7,9% | 3,08% |
Catar | 1719 | 545 | 46,5% | 2,69% |
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O Oriente Médio se destaca por mais do que volume. Nos dois primeiros meses de 2026, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Catar, juntos, absorveram mais de um quinto das exportações brasileiras de frango conteinerizado. Essa concentração reflete fatores estruturais de longa data, e não um pico momentâneo de pedidos. Os mercados do Golfo dependem fortemente de alimentos importados, o Brasil passou anos construindo credibilidade como fornecedor halal, e os vínculos comerciais nesse corredor são reforçados tanto por sistemas de certificação quanto por investimento corporativo.
Um guia oficial brasileiro de exportação para os Emirados Árabes Unidos destaca a carne de frango como uma das principais importações alimentares do país vindas do Brasil, enquanto o escritório do USDA em Dubai espera nova alta das importações de frango dos Emirados em 2026, sustentada por crescimento populacional, turismo, atividade da construção e consumo mais forte.
No plano industrial, empresas brasileiras também vêm ampliando sua presença na região. A JBS informou, em janeiro, que pretende dobrar a produção em sua planta de frango em Jeddah até o fim de 2026, em linha com o esforço mais amplo da Arábia Saudita para fortalecer a produção doméstica de alimentos. Em conjunto, esses elementos ajudam a explicar por que os embarques halal para o Oriente Médio ganharam impulso: esse comércio é sustentado não apenas pela demanda, mas também por uma estrutura comercial e regulatória já consolidada.
Conflito e gripe aviária adicionam novos riscos ao comércio
Ainda assim, esse corredor tornou-se mais difícil de operar. O conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos acrescentou atrito a uma rota que vinha sendo um dos canais mais dinâmicos para a proteína animal brasileira. No fim de março, a Reuters informou que exportadores brasileiros estavam redirecionando cargas de carne bovina e frango pelo Mar Vermelho, Canal de Suez e conexões terrestres para continuar atendendo compradores no Iraque, Catar e Emirados Árabes Unidos, mesmo com aumento dos custos de transporte e da exposição ao risco.
A DatamarNews informou posteriormente que as exportações brasileiras para o Golfo Pérsico caíram 31% em março, com a carne de frango e seus subprodutos recuando 13,8%, à medida que as disrupções em torno do Estreito de Ormuz afetavam os fluxos comerciais. O retrato de janeiro-fevereiro captado pelo DataLiner é relevante justamente porque registra a força da demanda do Golfo antes que o conflito se refletisse por completo nas decisões de embarque, nos prêmios de seguro e nas escalas marítimas.
O risco sanitário continua sendo a outra grande variável. O USDA afirma que as plantas comerciais de frango do Brasil estão atualmente livres de influenza aviária de alta patogenicidade e projeta alta das exportações em 2026 à medida que o país abre novos mercados e negocia cláusulas de regionalização capazes de preservar o comércio mesmo se surtos ocorrerem em áreas específicas. Esse cenário mais favorável vem depois de um período turbulento.
Em 2025, o Brasil enfrentou seu primeiro caso de HPAI em uma operação comercial, o que levou a restrições temporárias por parte de grandes compradores antes da retomada gradual do comércio. Em outras partes da América do Sul, os surtos seguem afetando o tabuleiro regional. Em abril de 2026, a China suspendeu as importações de carne de frango do Chile após um novo foco de gripe aviária no país. O resultado é um ambiente mais competitivo, em que a condição sanitária influencia diretamente o acesso aos mercados.
O Leste Asiático está se fragmentando como motor de demanda
A Ásia, por sua vez, já não se comporta como um único bloco de demanda, e essa mudança merece atenção. No frango, a China recuou 13,0% nos números do DataLiner para janeiro-fevereiro, enquanto o Japão avançou 25,1% e a Coreia do Sul cresceu 7,6%. No caso da carne suína, os contrastes são ainda mais fortes. A China caiu 39,6%, Singapura recuou 21,0% e o Vietnã encolheu 35,3%, ao passo que o Japão subiu 71,4% e a Coreia do Sul disparou 74,7%.
O padrão sugere que, do ponto de vista do Brasil, o Leste Asiático está se fragmentando. A China está retraindo compras, alguns destinos asiáticos menores também estão mais fracos, e a compensação do crescimento vem cada vez mais de Japão, Coreia e mercados como as Filipinas.
Essa mudança importa porque a China por muito tempo foi importante demais para ser tratada como apenas mais um cliente. O escritório do USDA em Pequim espera nova queda das importações chinesas de carne suína em 2026, citando ampla oferta doméstica, sinais fracos de preços e incentivos reduzidos para importar.
A perspectiva global mais ampla do USDA para carnes também projeta retração de 16% nas importações chinesas de carne suína neste ano. Esses fundamentos ajudam a explicar por que o comércio brasileiro de carne suína está girando para longe da China e em direção a outros mercados asiáticos. A mesma lógica ajuda a entender o quadro do frango: mesmo onde a China continua sendo uma compradora relevante, ela já não parece o mesmo motor confiável de demanda incremental que foi no passado.
As exportações de carne suína estão encontrando crescimento para além da China
A carne suína, na verdade, merece ser lida como uma história própria de exportação, e não apenas como um apêndice do frango. O Brasil exporta carne suína, e em ritmo crescente. Os dados do DataLiner mostram que as exportações conteinerizadas de carne suína alcançaram 12.784 TEUs em janeiro-fevereiro de 2026, alta de 14,7% sobre um ano antes, depois de totalizarem 83.523 TEUs em 2025, avanço de 9,5%.
As Filipinas lideraram com folga, com 4.539 TEUs e 35,5% de participação de mercado, seguidas por China, com 2.178, e Japão, com 2.132. O escritório do USDA em Brasília afirma que as Filipinas ultrapassaram a China como principal destino da carne suína brasileira em 2025, enquanto sua perspectiva global continua colocando o Brasil entre os principais exportadores mundiais do produto. A previsão é de que os Estados Unidos permaneçam como o maior país exportador de carne suína em 2026, enquanto a União Europeia exporta mais como bloco do que como país único.
A demanda doméstica no Brasil também segue em alta: o USDA projeta o consumo de carne suína no país em 3,07 milhões de toneladas métricas equivalente carcaça em 2026 e cita estimativa do setor de consumo per capita recorde de 20,2 quilos em 2025.
Tabela 2 – Principais destinos das exportações brasileiras de carne suína | Jan-Fev 2026 | TEUs
País | Valor acumulado em jan-fev de 2026 | Variação acumulada | % de crescimento | % de participação de mercado |
|---|---|---|---|---|
Filipinas | 4539 | 1801 | 65,8% | 35,50% |
China | 2178 | -1426 | -39,6% | 17,04% |
Japão | 2132 | 888 | 71,4% | 16,68% |
Singapura | 684 | -182 | -21,0% | 5,35% |
México | 440 | 38 | 9,5% | 3,44% |
Geórgia | 392 | 262 | 201,2% | 3,07% |
Angola | 268 | 35 | 15,0% | 2,10% |
Coreia do Sul | 255 | 109 | 74,7% | 1,99% |
Vietnã | 246 | -134 | -35,3% | 1,92% |
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O corredor reefer do Sul do Brasil sustenta o comércio
A dimensão da logística marítima é tão importante quanto a dimensão do mercado, especialmente porque frango e carne suína são cargas reefer. Esses produtos não se movimentam pelos portos como carga seca genérica.
Eles dependem de contêineres refrigerados, fornecimento estável de energia, operações especializadas de pátio, coordenação ágil de gates e espaço confiável nos navios. Os dados do DataLiner mostram que as exportações de frango estão fortemente concentradas em um pequeno grupo de terminais: o TCP movimentou 31.969 TEUs em janeiro-fevereiro, o equivalente a 49,97% do total, seguido por Itapoá, com 10.053, Portonave, com 6.842, e JBS Terminais, com 5.449.
A carne suína segue geografia semelhante, embora em ordem diferente: Portonave liderou com 4.402 TEUs, seguida por Itapoá, com 2.992, TCP, com 2.369, e JBS Terminais, com 2.020. O que emerge daí não é uma rede exportadora nacional dispersa, mas um corredor reefer especializado no Sul do país.
Tabela 3 – Principais terminais exportadores de carne de frango | Jan-Fev 2026 | TEUs
Terminal | Valor acumulado em jan-fev | Variação | % de crescimento | % de participação de mercado |
|---|---|---|---|---|
TCP | 31969 | 4017 | 14,4% | 49,97% |
Itapoá | 10053 | -2488 | -19,8% | 15,71% |
Portonave | 6842 | 2937 | 75,2% | 10,70% |
JBS Terminais | 5449 | 4383 | 411,2% | 8,52% |
BTP | 4022 | 488 | 13,8% | 6,29% |
Tecon Rio Grande | 2160 | -2411 | -52,7% | 3,38% |
Santos Brasil | 1438 | -239 | -14,2% | 2,25% |
DP World Santos | 858 | -675 | -44,0% | 1,34% |
ICTSI Rio Brasil 1 | 416 | 113 | 37,1% | 0,65% |
Multi-Rio | 302 | -1612 | -84,2% | 0,47% |
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Tabela 4 – Principais terminais exportadores de carne suína | Jan-Fev 2026 | TEUs
Valor acumulado em jan-fev | Variação | %de crescimento | % de participação de mercado | |
|---|---|---|---|---|
PORTONAVE | 4402 | 842 | 23.6% | 34.43% |
ITAPOA | 2992 | -235 | -7.3% | 23.41% |
TCP | 2369 | 504 | 27.0% | 18.53% |
JBS TERMINAIS | 2020 | 1716 | 564.2% | 15.80% |
TECON RIO GRANDE | 654 | -693 | -51.4% | 5.12% |
SANTOS BRASIL | 104 | 6 | 6.1% | 0.81% |
BTP | 97 | -15 | -13.2% | 0.76% |
TECON IMBITUBA | 68 | -81 | -54.5% | 0.53% |
DP WORLD SANTOS | 52 | -54 | -50.8% | 0.41% |
CAIS COMERCIAL (ITAJAI) | 12 | 12 | 0.09% |
Fonte: DataLiner (clique aqui para solicitar uma demonstração)
Essa concentração reflete onde o Brasil produz proteína animal. O USDA afirma que a Região Sul responde por 57% da produção de frango do país, com o Paraná sozinho responsável por 34% da produção nacional no terceiro trimestre de 2025.
Na carne suína, 73,4% da produção esteve concentrada no Sul em 2025, com Santa Catarina respondendo por 32,3% dos abates, seguida por Paraná, com 21%, e Rio Grande do Sul, com 20%. Os terminais que lideram o ranking da Datamar são extensões da principal faixa produtora de frango e suínos do Brasil.
A infraestrutura desses terminais ajuda a entender por que eles importam tanto. O TCP informa ter 5.268 tomadas reefer, o maior pátio reefer da América do Sul, operações de gate reefer 24 horas e o maior número de serviços marítimos do Brasil. A Portonave reporta 3.210 tomadas reefer, enquanto o Porto Itapoá vem expandindo sua capacidade refrigerada em fases, acrescentando centenas de novas tomadas.
Em um setor como o de proteína animal, esses não são detalhes técnicos menores. A competitividade exportadora depende da capacidade de manter a carga energizada, monitorada e em movimento sem interrupções. A capacidade reefer de um terminal pode ser tão importante quanto a demanda do mercado que espera essa carga no destino.
Os exportadores por trás dos fluxos brasileiros de proteína animal
Os rankings de empresas acrescentam uma última camada ao quadro exportador. Nos fluxos conteinerizados de frango e carne suína monitorados pelo DataLiner, a Seara Alimentos é a principal real cargo owner em ambos os segmentos em janeiro-fevereiro de 2026, com 17.757 TEUs em frango e 3.514 em carne suína. A BRF aparece em segundo lugar no frango, com 16.564 TEUs, e em terceiro na carne suína, com 2.035, enquanto a Aurora também tem presença relevante nas duas cadeias.
No panorama corporativo mais amplo, a JBS continua sendo a maior empresa de carnes do Brasil e uma das maiores do mundo. Mas, dentro dos fluxos conteinerizados de frango e carne suína analisados aqui, a Seara lidera o ranking da Datamar no início de 2026.6.
O que os dados comerciais revelam sobre o mercado à frente
Tomados em conjunto, os números apontam para algo mais complexo do que um simples crescimento das exportações. O comércio brasileiro de frango e carne suína está se expandindo, mas sobre um mapa diferente do de antes. Os mercados do Golfo continuam centrais, porque oferta halal certificada, demanda por segurança alimentar e laços comerciais de longa data seguem puxando volume. O Leste Asiático ainda é muito relevante, mas já não funciona como um único motor: a China está recuando nos dois segmentos, enquanto Japão, Coreia do Sul e Filipinas ganham mais peso. Sustentando tudo isso está uma cadeia marítima refrigerada altamente concentrada, especializada e profundamente ligada à geografia produtiva do Sul do Brasil.
É isso que os números da Datamar tornam visível. A máquina exportadora brasileira de proteína animal não está apenas movendo mais contêineres. Ela está se adaptando a um novo ambiente comercial, moldado pela demanda halal no Golfo, pela perda de fôlego das compras chinesas, pelas pressões sanitárias na América do Sul e por um sistema logístico reefer cuja eficiência se tornou inseparável do próprio desempenho exportador. Dados comerciais confiáveis são o que permitem enxergar essas mudanças cedo, antes que elas se convertam em perda de mercado ou em janelas logísticas desperdiçadas.
Saiba mais sobre a fonte de dados de comércio exterior mais confiável da América do Sul aqui: https://www.datamar.com/en/products/dataliner